Março

Vinte e oito de março.

Eu estou tentando te escrever, confesso. E escrevo isso é só para ver se algo a mais surge. Eu tenho mil frases que poderia colocar nesse texto, algumas histórias e algumas observações, mas não consigo escrevê-las.

Começar pelo começo é sempre uma boa ideia. Mas vou começar pelo meio da nossa história sem fim.

Sexta-feira. Um dia de rotina comum, levantei cedo e mesmo tentando não me atrasar, eu tive que correr para não perder o ônibus que já saía do terminal. Nas quartas e sextas eu tenho as piores aulas do semestre, se quiser anotar. Mas pela primeira vez, consegui sair antes do horário para ir ao estágio. Ok. Voltando do estágio, um frio na barriga.

Após dias tensos e tristes, eu ia te encontrar. Era um dia importante. Muito importante. Me arrumei com paciência e ao mesmo tempo me cobrando mais agilidade, não queria me atrasar para te ver ali. Cheguei. Ali estava, linda e iluminada. Fiquei com um sorriso bobo no rosto por uma hora, talvez. No meu peito, o coração acelerado. Era amor. É amor.

Te abracei e por mim, eu ficaria dentro do teu abraço, faria morada. Partilhar de um momento tão único na sua vida, me fez perceber, que quero partilhar a minha vida contigo. Passar as semanas tensas e tristes, mas chegar ao fim de mais um dia e encontrar conforto no teu abraço. Quero te aplaudir com um sorriso bobo no rosto pelo resto da minha vida.

 

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Destino

O destino de todos é a morte.

Tenho ansiado por dias mais sinceros, por acordar cedo e não precisar me desesperar para tomar café e pegar o ônibus. A gente se dá conta, as vezes, que deixou a correria dos dias levar a sua alma, percebe que já não se entrega de coração nos projetos porque seu coração já está cansado de bater e não chegar em lugar nenhum.

Enquanto eu esperava o próximo trem, uma notícia atraiu a minha atenção, mais um famoso se despedia desse planeta. O destino de todos é a morte, me dei conta. Enquanto esperamos o dia da colação, o almoço ou a viagem perfeita, a vida passa. Várias pessoas partem e pegam o trem com destino ao fim.

Talvez hoje não seja o fim, e talvez ele não chegue nesse ano. Mas cada dia novo é um dia a menos. Viver esperando o amanhã é viver esperando a morte. É preciso lembrar que do dia seguinte só temos um calendário, que o destino é uma surpresa. Entregar o coração enquanto ele pulsa. Respirar fundo enquanto se tem ar no pulmão. Pensar enquanto existe atividade cerebral.

Último

Para ouvir: Giz – Legião Urbana

Talvez seja a primeira vê na minha vida que a tua falta não faz morada no meu peito. Eu esperei por esse dia, o dia que eu iria olhar as fotos, ouvir as músicas e só ia te admirar. Sem desejo, sem saudade.

É bom conhecer pessoas novas, andar no Parque e dar gargalhadas até faltar o ar. É bom gostar de alguém e querer estar perto. Te escrevo mais um texto e talvez, o último. Você habitou nas minhas lembranças por um longo tempo, te fantasiei na minha mente tantas vezes, e sempre que ouvia meus cantores favoritos, eu lembrava de você tocando seu velho violão.

Conheci alguém que me fez desejar ficar. Você, eu sempre vou guardar no peito com admiração, um dia a gente se reencontra e você me conta se continua dando aulas de histórias, bebendo vinho e ouvindo rock. Não penso mais em você, só em você como dizia a canção.

Aprendi a beber e deixei o cabelo crescer, e você o que fez? Foi bom te ter aqui. Mas hoje outro alguém ocupa mais espaço. Eu estou melhor, sou a melhor pessoa que poderia ser, sou eu e minha. Ainda entendo errado as histórias e ainda falo coisas sem sentido, mas agora, eu cresci. Não posso mais ser a sua menina, mas a gente pode sair para beber qualquer dia.

Ps. Nossa música continua fazendo sentido.