Outras mentiras

 

Ouvindo Cazuza 

Não eu não sei o que estou fazendo da minha vida, sim, exatamente como o titulo daquele filme nacional. Um bom filme, alias.

Esse ano tem sido um dos piores. Ninguém por perto morreu. Mas a morte as vezes é algo bom. Eu queria sair por aí e dizer o que penso do mundo, das pessoas e do amor. Queria conhecer uma banda revolucionaria, fazer uma nova amizade e escrever um artigo. Antes do ano acabar.

Faltam cinco meses para o ano findar. Talvez, falte horas ou 60 anos para eu morrer, mas eu aprendi algo – quero morrer de tanto viver. Quero amar a vida, a ponto de quando a morte chegar, eu puder ouvir Cazuza e sentir o que ele sentiu quando percebeu que o tempo não para.

Preciso ouvir as pessoas contar as suas histórias e dizer o quanto amar pode ser doído, quero rir quando perceber que estamos todos perdidos ou fodidos. Falaram que o mundo ia acabar dia vinte e nove, mas não acabou. E então, mais uma teoria do fim, chegou ao fim. E eu gosto de ouvir Cazuza. Costumo chorar ouvindo Cazuza.

É injusto pessoas morrerem por terem vivido plenamente. Mas é melhor assim. Justiça é, na verdade, egoísmo. Por mais que Sócrates tenha tentando me convencer que existe justiça – Leia a República de Platão- , a verdade é que não existe verdade absoluta (questione – nem o que eu escrevo é verdade). E justiça é egoísmo. O que é justo?  Talvez, eutanásia seja justiça, talvez seja puro egoísmo. Talvez pena de morte seja justiça, mas eu acredito que é egoísmo. E entenda, Deus nos condenou a morte. Morte eterna.

Justiça é morrer. Lamento dizer, mas nesse mundo cão, não existe ninguém para te salvar. Estamos fodidos. Mas, por favor, morra de tanto viver. Sinta a dor de ter sua vida roubada por tê-la vivido. Escreva uma música ou um livro. Não tenha filhos. Lamente não ter bebido naquela festa ou não ter dançado uma música ridícula. Leia mentiras, conte mentiras. Esse texto não é verdade. Questione.

*Cazuza/Caju morreu a 26 anos – mas viveu plenamente por 32 anos. *

Sábado e Rock

ouvindo O Teatro dos Vampiros – Legião Urbana

Acordei cedo, e decidi que deveria sair. Na verdade, já estava planejando ir em um evento diferente.

Fui sozinha mesmo. Comprei uma cerveja (apesar de não gostar), e comi um brownie . Olhei ao redor, e percebi que Brasília não é mais a Capital do Rock.

Voltei pra casa, percebi que não pertenço mais aquele lugar. Quis chorar. Aguentei. Por quanto tempo, não sei.

Ouvi Legião Urbana, e senti saudades. Não consigo mais acreditar nas pessoas. Não consigo mais sentir amor. Não sei dizer se algum dia eu já senti.

Decidi escrever um texto, e que escreveria duas linhas para cada parágrafo. Não sei por que escrevo. Nada mais faz sentido.

“Sempre precisei de atenção. Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto. E nesses dias estranhos, fica poeira se escondendo pelos cantos.”

Não tem importância não sentir. E lamento pelos que sentem.  Cervejas me dão enjoo, mas elas deixam o mundo embaçado – e é melhor, ver o mundo assim, desfocado.

11-12-13

Foi só um sorriso e foi por amor.

Quando vi aquela barba ruiva em meio à multidão, pude sentir um aperto forte no peito esquerdo. Era como se ele estivesse mais perto do que eu imaginava. Fui ao encontro do meu barbudo preferido, e a pergunta saiu quase que por acaso. Onde está ele, ele vem?
Um sorriso em meio aquela barba de “Noel”, e a palavra “surpresa” saiu meio sem querer né? Ou foi uma indireta? Sinceramente, não conseguia conter o sorriso bobo que invadiu o meu rosto. Eu o veria, depois de dois anos ou mais?
Ah, eu o vi! Meu amor, meu real amor. Desculpe-me outros, mas depois dele os outros são os outros e só. O sorriso mais lindo e olhar mais terno que há, meu coração é dele e de mais ninguém. O dia mais emocionante da minha vida e lá estava ele para me aplaudir e me parabenizar.
O local se encontrava abarrotado de gente com sorrisos de alegria absoluta em seus rostos maquiados, outros seguravam faixas. E eu, apenas não podia me conter, mas me contive. Queria correr para os braços dele, suspirar e dizer o quando estava feliz por vê-lo ali. Escutei meu nome ser anunciado, diga-se, em alto e bom som. Caminhei atordoada, no meio de estranhos e alguns conhecidos, sem entender o porquê da gritaria toda. Pude avista-lo em meio aquela multidão eufórica, comemorando tanto quanto os que conviveram comigo a vida toda.
Eu ria por dentro e sorria atônita por fora, o olhava distante e desejava abraça-lo. A última vez que o havia visto era tarde ensolarada de dezembro. Abraçamos-nos, desejamos-nos boas festas e tiramos uma foto que ainda guardo comigo.
Ao final de toda emoção, sorrisos, sentimento de “missão cumprida”, aproximei dele e sorri, o abracei como toda a força que tinha. E ao meu ouvido ele disse: “Quanto tempo, estava com saudade” e depois, parabenizou-me. Sinceramente, ouvi-lo dizer que se lembrava de mim e sentia saudade foi a melhor coisa da noite. Melhor que receber o canudo com a conclusão do Ensino Médio. Ele era o que eu amava e a melhor lembrança do meu Ensino Médio. Queria dizer a ele que nada nos impedia de ficarmos juntos, nem a diferença de idade, nem aquele pequeno detalhe que acabara de se tornar um nada para nós.

Não deixar para amanhã

Algum dia de Julho, do ano de 2016.

Dias de céu azul, frios ou melhor, gelados, não me fazem refletir, nem se quer escrever. Há dias, quiçá meses, não escrevia. Inventei diversas desculpas para todos e para mim, mas a verdade é que eu tenho preguiça.

Não é fácil assumir publicamente, um pecado capital. Mas é preciso confessar o mal que me mata. Eu não morro de amores, nem de fome, mas morro por preguiça. Apesar de ser uma sonhadora incontrolável, a preguiça me prende. Eu tenho preguiça de conversar, de alinhar a vida e até mesmo de dar fim naquelas coisas que já não se enquadram mais na vida.

Nessas férias, enquanto eu penso que preciso terminar de assistir Rosário Tijeras – série/ telenovela colombiana, sobre violência, amor e mais violência -, lembro que preciso assistir a última temporada de Castle (e oficialmente, será a única série que terei terminado). Nas férias é fácil se entregar a preguiça, ao ócio. Deixo para depois: o guarda-roupa desarrumado, as unhas descascadas e os livros na estante.

Então, abro as redes sociais, vejo as publicações inúteis do facebook, vou abrindo mil contas no instagram e vendo as viagens incríveis que as pessoas fazem. Desespero. É fácil sonhar. Difícil é realizar – ver aquele sonho se concretizando é ótimo, mas é tão bom, ficar sem fazer nada. E mais uma vez, eu deixo para amanhã. Para o próximo mês.

Esse texto mal escrito é para eu não esquecer: de deixar a preguiça na cama (ou esquecer na gaveta mesmo), e começar a fazer a vida funcionar. As redes sociais sugam as nossas energias, vou me desligar delas. Pessoas que quererem que eu seja como elas idealizam, vou me livrar delas. Objetos que só ocupam espaço, vou doá-los. Preguiça – adeus!